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Autor de ‘A serpente cósmica’ ministra aula online gratuita

Jeremy Narby discute o conhecimento produzido nas visões com ayahuasca e o diálogo entre saberes indígenas e ciência contemporânea

Carlos Minuano para a Psicodelicamente

O antropólogo canadense Jeremy Narby, autor de “A serpente cósmica: o DNA e a origem do saber”, participa nesta quinta-feira (26), às 19h, de uma aula aberta online promovida pelo NEP (Núcleo de Ensino e Pesquisa) do LIS (Lar e Integração do Ser), em parceria com o Instituto Aion. O evento é gratuito e será realizado em espanhol, sem tradução simultânea.

Intitulada “Levando a sério o pensamento indígena: o caso das visões com ayahuasca”, a atividade propõe discutir como conhecimentos produzidos em contextos xamânicos amazônicos dialogam com a ciência contemporânea. A aula inaugura a programação anual de encontros abertos do NEP, núcleo voltado à formação e pesquisa sobre ciência, espiritualidade e saberes ancestrais.

Narby tornou-se conhecido internacionalmente ao questionar a tendência de parte da academia ocidental de classificar narrativas indígenas como metáforas, mitos ou sistemas simbólicos dissociados da produção efetiva de conhecimento. Em meados dos anos 1980, durante trabalho de campo junto ao povo ashaninka, na Amazônia peruana, o antropólogo ouviu que saberes sobre plantas medicinais, incluindo combinações complexas e propriedades terapêuticas específicas, seriam aprendidos por meio de visões com ayahuasca.

O relato, inicialmente recebido com ceticismo, tornou-se o ponto de partida de sua obra mais conhecida. Publicado em 1998, “A serpente cósmica” explora possíveis paralelos entre descrições visionárias e descobertas da biologia molecular, especialmente a estrutura do DNA. Lançada no Brasil em 2018 pela editora Dantes, a obra circula há mais de duas décadas no debate internacional sobre formas indígenas de produzir conhecimento.

Universo das plantas mestras na pintura de Peconquena (Lastenia Canayo)

Narby não apresenta suas hipóteses como comprovação científica, mas como provocação aos limites do pensamento dominante. Ao sugerir que saberes tradicionais operam com lógicas próprias de validação e transmissão, defende a necessidade de escuta e diálogo, sem exotização nem reducionismo.

Formado em antropologia pela Universidade Stanford, o pesquisador construiu carreira dedicada ao estudo das relações entre povos indígenas amazônicos e sistemas de conhecimento ocidentais. Além de “A serpente cósmica”, publicou “Shamans Through Time: 500 Years on the Path to Knowledge” (“Xamãs através do tempo: 500 anos no caminho do conhecimento”), “Intelligence in Nature: An Inquiry into Knowledge” (“Inteligência na natureza: uma investigação sobre o conhecimento”) e “The Psychotropic Mind: The World According to Ayahuasca, Iboga, and Shamanism” (“A mente psicotrópica: o mundo segundo a ayahuasca, a iboga e o xamanismo”), ainda inéditos no Brasil.

Em 2021, lançou “Plantas mestras: tabaco e ayahuasca”, em coautoria com Rafael Chanchari, com edição brasileira publicada em 2022, também pela Dantes. Seus livros foram traduzidos para diversos idiomas, como espanhol, francês e alemão.

A aula contará ainda com a participação do maestro vegetalista peruano Randy Gonzales, que trará a perspectiva prática do vegetalismo amazônico. A proposta é articular reflexão teórica e experiência tradicional, discutindo como as visões com ayahuasca são compreendidas em seus contextos de origem e quais desafios surgem quando esses saberes entram em contato com instituições científicas.

As inscrições são gratuitas e devem ser feitas através deste link.

Saberes da Amazônia peruana no Rio de Janeiro

Fundado em 2024 pela Novo Humano e pela psicóloga Karla Perdigão, o LIS é um centro espiritual de vegetalismo dedicado a práticas ritualísticas com plantas mestras originárias do Alto Amazonas peruano. Localizado em Areal, na região serrana do Rio de Janeiro, o espaço realiza jornadas de três e nove dias que combinam desintoxicação, dietas espirituais, cerimônias e processos de integração.

Inspirado em experiências latino-americanas como o Centro Takiwasi, no Peru, o LIS propõe o diálogo entre saberes ancestrais amazônicos, espiritualidade e ciência contemporânea. O centro abriga ainda o NEP, coordenado pelo médico Alessandro Campolina, ligado à USP, e por Karla Perdigão, voltado à reflexão, produção de conhecimento e interlocução entre saberes ancestrais e pesquisa acadêmica.

Serviço

Aula aberta: “Levando a sério o pensamento indígena: o caso das visões com ayahuasca”
Quando: 26 de fevereiro, às 19h
Formato: online
Idioma: espanhol, sem tradução simultânea
Informações: www.lis.org.br /Instagram: @lis.org.br
WhatsApp: (21) 98782-8459
Inscrições: através deste link

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